Ambliopia e terapia ocupacional: o relato de caso com o método Self-Healing
Um relato de caso publicado em 2006 nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar descreve o atendimento de uma criança de 6 anos com ambliopia, combinando terapia ocupacional, atividades lúdicas e exercícios do método Self-Healing ao tratamento oftalmológico já em curso, e registrou redução de 2 graus de miopia e desaparecimento do estrabismo após 18 sessões.
Ambliopia ("olho preguiçoso") é diagnosticada e acompanhada por oftalmologista, e tem uma janela de tempo mais eficaz para tratamento na infância. Na criança deste relato, o acompanhamento oftalmológico e o uso de óculos e, quando indicado pelo médico, do tampão ocular continuaram durante toda a intervenção — os exercícios e atividades descritos aqui foram um complemento a esse tratamento, nunca uma substituição. Se seu filho tem diagnóstico ou suspeita de ambliopia, o primeiro passo é sempre a avaliação com oftalmologista.
Assino este relato, publicado em 2006, como Tatiana Luísa Reis Gebrael, sob orientação da professora Léa Beatriz Teixeira Soares. É o registro de um atendimento em que terapia ocupacional infantil e exercícios de estimulação visual do método Self-Healing foram combinados numa mesma criança, com acompanhamento oftalmológico documentando o resultado ao final. O Self-Healing, de Meir Schneider, foi a base da minha formação nessa época — e é o fundamento sobre o qual construí, anos depois, o método Olhos de Águia, que uso hoje com meus alunos adultos.
O que é ambliopia e como ela costuma ser tratada?
Ambliopia, o chamado "olho preguiçoso", é a diminuição da acuidade visual em um ou nos dois olhos sem uma causa estrutural aparente no exame ocular, e costuma se desenvolver nos primeiros seis anos de vida. Suas principais causas são o estrabismo, uma diferença de grau entre os dois olhos (anisometropia) ou embaçamento dos tecidos oculares, como na catarata infantil. O tratamento de primeira linha, prescrito por oftalmologista, é a oclusão do olho de melhor visão — o uso do tampão — para forçar o cérebro a usar o olho amblíope. É esse tratamento padrão que a criança deste relato já seguia antes e durante o atendimento em terapia ocupacional.
O que é o relato de caso de Gebrael (2006) sobre ambliopia?
É um relato de caso clínico, publicado em 2006 nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, meu primeiro trabalho publicado.
Gebrael, T. L. R. (2006). Atendimento de uma criança com ambliopia em Terapia Ocupacional: contribuição do método Meir Schneider de autocura (Self-Healing). Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 14(2). Orientação: Léa Beatriz Teixeira Soares.
- Título original
- Atendimento de uma criança com ambliopia em Terapia Ocupacional: contribuição do método Meir Schneider de autocura (Self-Healing)
- Autora
- Tatiana Luísa Reis Gebrael (orientação: Léa Beatriz Teixeira Soares)
- Periódico
- Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar
- Ano
- 2006
- Volume
- 14, número 2
- Desenho
- Relato de caso clínico único, supervisionado
- Participante
- 1 criança (nome fictício: Julia), 6 anos, com hipótese diagnóstica de ambliopia no olho direito e erro de refração desigual entre os olhos
- Duração
- 18 sessões semanais de cerca de 1 hora, de fevereiro a julho de 2006
- Consentimento
- Termo de consentimento livre e esclarecido assinado pelos responsáveis
Como foi o atendimento descrito no relato?
Julia chegou ao atendimento com 5 graus de miopia no olho direito, meio grau de hipermetropia no olho esquerdo e um grau e meio de astigmatismo em ambos os olhos, usando óculos em todas as atividades e tampão ocular por recomendação médica em períodos anteriores. As sessões combinaram atividades lúdicas — jogos, brincadeiras com bexiga, confecção de brinquedos, amarelinha — com exercícios do método Self-Healing: automassagem facial, "passeio dos olhos", empalmar, piscar, arco espinhal, alongamento ocular e seguimento de objetos. Boa parte das atividades foi feita com o tampão no olho de melhor visão, para estimular o uso do olho amblíope, e a família recebeu um folheto ilustrado para dar continuidade aos exercícios em casa.
O que foi registrado ao final das 18 sessões?
O dado mais concreto deste relato é o que a avaliação oftalmológica registrou ao final do atendimento, comparado ao quadro inicial de Julia:
Na avaliação oftalmológica pós-intervenção
- Visão normal no olho esquerdo — antes com meio grau de hipermetropia
- Redução de 2 graus de miopia no olho direito — de 5 para 3 graus
- Desaparecimento do estrabismo que Julia apresentava ao focalizar detalhes na visão de perto
E ao longo das 18 sessões
- A criança passou a tolerar melhor exercícios que antes causavam inquietação, como o empalmar e a automassagem facial
- O vínculo terapêutico se estabeleceu com facilidade, e a criança relatou repetir exercícios e brincadeiras com tampão em casa (andar de bicicleta, assistir TV)
- Os familiares relataram, por conta própria, a mesma melhora do estrabismo confirmada depois no exame
O que essa pesquisa significa na prática, na visão de Tatiana Gebrael Capanema?
O que fica registrado no exame, ao final do caso da Julia, é concreto: dois graus a menos de miopia no olho direito, o olho esquerdo com visão normal, e o estrabismo que a família via no dia a dia simplesmente não estava mais lá. Na prática, o que sustentou esse resultado ao longo do semestre foi uma criança que passou a pedir para fazer os exercícios em casa, sozinha, cada vez com mais autonomia. Foi esse tipo de desfecho, documentado por exame e não só por percepção, que me convenceu a seguir aprofundando essa combinação de terapia ocupacional e estimulação visual.
— Tatiana Gebrael CapanemaEsse mesmo repertório de exercícios do método Self-Healing reaparece, alguns anos depois, num projeto social com duzentos alunos de escola pública — veja os resultados desse projeto aqui. E o programa de consultoria colaborativa que venho de outra frente da minha pesquisa está descrito no estudo-piloto sobre baixa visão na pré-escola.
Quais são os limites deste relato, com a mesma transparência dos resultados?
É um relato de caso clínico único, sem grupo de comparação — o nível de evidência mais inicial em pesquisa, útil para descrever uma prática e gerar hipóteses, não para provar uma relação de causa e efeito. A criança manteve o tratamento oftalmológico padrão (óculos e, quando indicado, tampão ocular) durante toda a intervenção, o que significa que este relato não isola o efeito específico dos exercícios de Terapia Ocupacional e Self-Healing do efeito do tratamento médico em curso, nem da evolução natural do quadro. O próprio caráter de "relato de aluno/relato de caso" (categoria (c) da minha classificação de evidências) exige lê-lo como uma experiência documentada, não como prova científica de eficácia isolada do método.
Perguntas frequentes sobre ambliopia e terapia ocupacional
O que é ambliopia?
Ambliopia, popularmente chamada de "olho preguiçoso", é a diminuição da acuidade visual em um ou nos dois olhos, sem uma causa estrutural visível no exame do olho. Costuma se desenvolver nos primeiros anos de vida e pode ter como causas o estrabismo, uma diferença de grau entre os olhos ou o embaçamento dos tecidos oculares.
O que o relato de caso de 2006 sobre ambliopia e terapia ocupacional registrou?
Depois de 18 sessões combinando terapia ocupacional, atividades lúdicas e exercícios do método Self-Healing junto ao tratamento oftalmológico em curso, a avaliação oftalmológica registrou visão normal no olho esquerdo, redução de 2 graus de miopia no olho direito e desaparecimento do estrabismo relatado pela família.
Os exercícios desse relato podem ser feitos junto com óculos e tampão ocular?
Sim. Na criança deste relato, os exercícios de Terapia Ocupacional e do método Self-Healing foram feitos em paralelo ao tratamento oftalmológico padrão — boa parte das atividades, inclusive, foi realizada com o tampão colocado no olho de melhor visão, exatamente para estimular o olho amblíope.
O que é o método Self-Healing usado no atendimento?
É o método de autocura criado por Meir Schneider, baseado em relaxamento, massagem, alongamento e estimulação visual. No atendimento relatado, ele foi combinado com atividades lúdicas de Terapia Ocupacional, adaptadas para uma criança de 6 anos com ambliopia.
Onde foi publicado esse relato de caso?
Nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, volume 14, número 2 (2006), assinado por Tatiana Luísa Reis Gebrael, sob orientação da professora Léa Beatriz Teixeira Soares — o primeiro trabalho publicado por Tatiana.
Referências
- Gebrael, T. L. R. (2006). Atendimento de uma criança com ambliopia em Terapia Ocupacional: contribuição do método Meir Schneider de autocura (Self-Healing). Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 14(2).