Catarata senil e exercícios visuais: os resultados do estudo da UnB

Um estudo da Universidade de Brasília, publicado em 2024, acompanhou 10 pessoas com catarata senil por 21 semanas de exercícios visuais do método Olhos de Águia. Os participantes relataram melhora na acuidade visual e na visão para longe, redução do cansaço visual e da dependência de óculos, e mais autonomia nas atividades do dia a dia.

Importante

Catarata é uma condição que, sem tratamento adequado, pode evoluir e comprometer a visão. As melhoras relatadas neste estudo são de função visual percebida e qualidade de vida — o estudo não mediu a opacidade do cristalino, que é o critério clínico que define a catarata. Mantenha o acompanhamento oftalmológico regular e siga a orientação do seu oftalmologista sobre o tratamento adequado.

Nesta página reúno o que essa pesquisa mostrou: quem participou, como o programa foi conduzido, e o que os alunos relataram sentir depois de 21 semanas de prática. É uma pesquisa universitária que testou o método Olhos de Águia dentro de uma universidade federal brasileira. Ela se soma a uma base mais ampla: dezenas de estudos internacionais investigam exercícios visuais, parte deles reunidos na base científica completa do método.

O que é catarata senil, e por que ela importa depois dos 60?

Catarata senil é a opacificação do cristalino — a lente natural do olho — associada ao envelhecimento, e é uma das causas mais comuns de perda de qualidade visual em pessoas idosas. Ela prejudica aos poucos leitura, direção e reconhecimento de rostos, e o tratamento definitivo, quando o oftalmologista indica, é a cirurgia. É essa população — pessoas de meia-idade e idosas com catarata senil confirmada por exame — que a pesquisa da Universidade de Brasília acompanhou, com foco na experiência de quem vive com a condição no dia a dia.

O que é a pesquisa da UnB sobre catarata senil e exercícios visuais?

É um artigo científico publicado em 2024 no Brazilian Journal of Health Review, produzido por pesquisadoras da Universidade de Brasília. Sou coautora, e assino com meu nome de registro, Tatiana Luísa Reis Gebrael Capanema.

Tavares, G. S.; Capanema, T. L. R. G.; Costa, E. P. D. (2024). A influência de um programa de exercícios visuais com pessoas com catarata senil em relação à saúde visual e qualidade de vida. Brazilian Journal of Health Review, 7(1), 6316–6336. DOI: 10.34119/bjhrv7n1-509

Título original
A influência de um programa de exercícios visuais com pessoas com catarata senil em relação à saúde visual e qualidade de vida
Autores
Grasielle Silveira Tavares, Tatiana Luísa Reis Gebrael Capanema, Ester Porto Dias Costa
Periódico
Brazilian Journal of Health Review (ISSN 2595-6825)
Ano
2024
DOI
10.34119/bjhrv7n1-509
Desenho
Pesquisa-intervenção, abordagem quantitativa e qualitativa
Participantes
10 pessoas (89,9% mulheres), idade média de 66 anos
Critério de inclusão
Catarata senil confirmada por exame oftalmológico
Duração
21 semanas, encontros grupais semanais online (abril a outubro de 2022)
Instrumentos
WHOQOL-bref (qualidade de vida) e Índice de Katz (atividades de vida diária)

Como foi desenhada a pesquisa sobre catarata senil e exercícios visuais?

Dez pessoas com catarata senil confirmada por exame oftalmológico participaram de encontros grupais semanais e síncronos, realizados online entre abril e outubro de 2022, ao longo de 21 semanas — pouco menos de cinco meses de prática contínua. Para medir os efeitos, as pesquisadoras usaram dois instrumentos validados: o WHOQOL-bref, questionário da Organização Mundial da Saúde para qualidade de vida, e o Índice de Katz, que avalia autonomia em atividades básicas do dia a dia.

O que os participantes relataram depois de 21 semanas de exercícios visuais?

Este é o núcleo do estudo, e o que ele efetivamente mostrou:

Melhoras relatadas pelos participantes

  • Melhora na acuidade e na visão para longe
  • Aumento da nitidez da visão
  • Redução do cansaço visual
  • Diminuição da dependência dos óculos
  • Melhor lubrificação dos olhos
  • Alívio de tensão nos olhos e na face, e de dor e coceira
  • Melhora geral na qualidade de vida

Essas melhoras apareceram em atividades concretas do dia a dia — pegar ônibus, fazer trabalhos manuais que exigem precisão, e ler. Para uma pessoa de 66 anos em média, recuperar essas tarefas com mais conforto é, na prática, o que mais importa — e foi exatamente isso que a pesquisa foi desenhada para captar: o efeito real, relatado por quem viveu o programa, semana após semana.

O que essa pesquisa significa na prática, na visão de Tatiana Gebrael Capanema?

Passei quase vinte anos ouvindo que o que eu faço "não tem base científica". Levar o método para dentro de uma universidade federal foi a resposta que eu queria dar. E o que os dados trouxeram foi exatamente o que eu vejo todos os dias na minha prática: gente que volta a ler com conforto, que sente menos cansaço no fim do dia, que depende menos do óculos para as tarefas de perto. Para quem tem 66, 70 anos e catarata, essa diferença pesa mais do que qualquer decimal de tabela optométrica. Esse é o resultado que me deixa animada para estudar mais, com mais gente — e é onde eu quero estar.

— Tatiana Gebrael Capanema

Este mesmo grupo de idosos com catarata senil também foi acompanhado num segundo estudo, de desenho qualitativo, que investigou como a experiência dos exercícios se refletiu na corporeidade e na autonomia dos participantes — leitura complementar a esta.

Quais são os limites deste estudo, com a mesma transparência dos resultados?

O tipo de resultado que este estudo entrega

É um relato consistente de melhora funcional: 10 participantes, acompanhados por 21 semanas, relatando ganhos reais em questionários validados de qualidade de vida e autonomia (WHOQOL-bref e Índice de Katz). O próximo passo, que os próprios autores pedem, é replicar com amostra maior e grupo de comparação, e somar um exame de acuidade visual objetivo ao desenho — o tipo de confirmação clínica que consolida um achado promissor como este.

Perguntas frequentes sobre catarata senil e exercícios visuais

Quais melhoras os participantes relataram no estudo da UnB sobre catarata senil?

Melhora na acuidade e na visão para longe, aumento da nitidez, redução do cansaço visual, diminuição da dependência dos óculos, melhor lubrificação dos olhos, alívio de tensão, dor e coceira, e mais qualidade de vida. Essas melhoras apareceram em atividades concretas: pegar ônibus, fazer trabalhos manuais de precisão e ler.

Como foi feito o estudo sobre catarata senil e exercícios visuais da UnB?

Dez pessoas com catarata senil confirmada por exame oftalmológico participaram de 21 semanas de exercícios visuais em encontros grupais online, entre abril e outubro de 2022. As pesquisadoras usaram os questionários WHOQOL-bref e Índice de Katz para medir qualidade de vida e autonomia.

Onde posso ler o estudo original sobre catarata senil e exercícios visuais?

O artigo está publicado em acesso aberto no Brazilian Journal of Health Review, volume 7, número 1, páginas 6316 a 6336 (2024), com o DOI 10.34119/bjhrv7n1-509. O link direto está nesta página, na seção de referências, abaixo.

Quem é a autora do método testado nesse estudo?

Tatiana Gebrael Capanema, terapeuta ocupacional com mestrado em saúde visual e educação especial pela UFSCar, criadora do método Olhos de Águia e coautora do estudo, com afiliação à Universidade de Brasília na publicação.

Referências